Deixados Para Trás é uma série de treze livros famosos escritos por Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins, com a temática do Apocalipse.
Assim como eu, acredito que a maioria dos brasileiros primeiro teve contato com os filmes, que, afinal, por serem de temática apocalíptica, seguindo o contexto bíblico, chama muita atenção – nada melhor do que alguém fazer um estudo aprofundado sobre um tema difícil e apresentar suas conclusões de forma bem facilitada para nós, meros mortais.
Confesso que após assistir o primeiro filme, fiquei bem empolgado, e ansioso para ver a continuação. Quando soube que já estava disponível o segundo filme, assisti-o também, e o mesmo ocorreu com o terceiro filme. Porém, parou por aí. Nunca mais soube notícia de outro filme para dar continuação a essa série, que por sinal, parece ser muito boa.
Então finalmente encontrei os livros e comprei-os todos. E aqui, neste texto, tentarei expressar minha opinião sobre eles.
O primeiro livro é de fato bom. O segundo também, e até o terceiro, pois em algumas partes o livro consegue prender bem a atenção do leitor, deixando-o ansioso por continuar a leitura para saber o que acontecerá com Buck e o Rabino (dois dos personagens).
Contudo, a partir do quarto livro, a história começa a ficar bem chata. São treze livros e os treze têm cerca de quatrocentas páginas. E a partir do quarto livro, você só sente sentido no título lá pelo final do mesmo.
Sinceramente, LaHaye e Jenkins são mestres de enrolação.
Acredito que se fizessem um livro contendo somente as partes que realmente importam, de todos os treze livros, teríamos um único volume de umas mil e duzentas páginas, ou, três volumes de quatrocentas páginas. Dez livros a menos.
Não estou dizendo que, livro que presta não enrola. Não é isso. De fato, todos os livros têm muita enrolação, mas alguns autores sabem enrolar e outros não. Há livros que, mesmo contendo quase mil páginas, as pessoas leem em uma semana, porque a história prende muito. Já Deixados Para Trás mal me prendia.
Nas comunidades da internet percebi que sou quase um peixe fora d’água, pois muitos leitores dizem que ficam totalmente presos à leitura. Não sei como.
Enfim, cada livro tem sua parte emocionante, e uma sequência de dois ou três capítulos que te prende; fora isso, pura enrolação que faz o enredo evoluir aos poucos, bem devagar.
Continuando a leitura, estando eu já perto dos últimos livros, e pensando que ia ficar mais emocionante, me decepcionei. Fora que, realmente não está muito de acordo com a Bíblia.
A Bíblia fala que a tribulação será tanta que não houve igual antes desse tempo e não haverá outra depois dela, mas a galera de Deixados Para Trás vive muito bem, comparando-se à grande tribulação descrita na Palavra.
Outra coisa que achei interessante, mas desnecessária, e que facilitou muito a vida de todos os crentes na tribulação, era o número considerável de espiões/infiltrados que estavam em altas posições nas equipes do Anti-Cristo. De certa forma ajudou o romance a se desenvolver, mas diminuiu muito a tribulação, pois assim eles tinham muita facilidade de se esconderem, tendo ainda, muitos aviões e vários outros meios de locomoção.
Outra coisa me chamou atenção, mais para crítico que para apreciador. Os autores começaram a fazer muitos dos personagens virarem mártires da fé, e para isso até fizerem alguns personagens, que durante toda a saga eram bem inteligentes, fazerem burradas infantis; e a burrada aumentava à medida que o fim da saga ia se aproximando.
No décimo primeiro livro eu realmente estava farto de enrolação, mas quando terminei de lê-lo, olhando para o título do próximo (O Glorioso Aparecimento), pensei comigo: este próximo livro vai fazer com que todo o tempo que perdi nos demais faça valer a pena. Ledo engano.
O décimo segundo livro, que era pra ser o melhor de todos, foi uma enorme decepção. Percebe-se claramente que os autores queriam alcançar, de qualquer forma, a meta de escreverem quatrocentas páginas novamente, ou, pelo menos, o mais próximo disso. Há um vai e vem dos personagens, totalmente desnecessária. O Anti-Cristo tinha um plano e objetivos claros, mas ia pra todo lugar, menos pra onde queria. E quando chegava aos tais lugares, se demorava sem necessidade. Da forma semelhante acontecia com os personagens cristãos.
A decepção foi tão grande que diminuí o ritmo da leitura drasticamente, me forçando a continuar, pra poder terminar.
Após um tempo considerável, pude partir pro décimo terceiro livro, totalmente desanimado. E tive uma agradável surpresa. O último livro é bom! Um único que salvou a leitura dos nove anteriores.
Porém, infelizmente, quando havia um enredo que tinha um enorme potencial de gerar pelo menos mais uns três capítulos que prendessem muito a atenção, os autores decidiram fazer o que deviam ter feito nos outros livros: finalizaram a estória bruscamente, correndo para o fim! Ao menos não foi uma decepção como a do livro anterior.
Por fim, resumindo, eu recomendo a leitura destes livros só para pessoas que realmente estejam muito interessadas em saber a continuação da história apresentada nos filmes, pois a leitura não é de todo fácil, sendo, como deixei bem claro, enjoativa. Não fossem as enrolações mal feitas, seria uma série realmente memorável.
Além dessa série principal há ainda outros três livros, se não me engano, que servem de prequel da saga, ou seja, uma ‘pré-sequência’ que conta em mais detalhes a história anterior de alguns dos personagens, antes dos mesmos serem deixados para trás. Ainda há outra saga paralela, também de doze ou treze livros, só que com personagens adolescentes, voltada, claro, para o público infanto-juvenil. Eu disse, LaHaye e Jenkins são mestres de enrolação!

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