Marcha das Vadias: uma marcha sem noção

Ultimamente no Brasil vem acontecendo uma série de marchas de caráter feminista inspirada numa marcha que se originou no Canadá: A Marcha das Vadias.

Para você leitor que não sabe direito o porquê dessa marcha, vou relatar brevemente o que a originou: no Canadá, em 2011, na Universidade de Toronto, vários casos de abuso sexual estavam acontecendo e um policial disse para que as mulheres evitassem se vestir como vadias para evitar o estupro, ou abuso. Depois disso meio mundo de mulher se revoltou.

Concordo que o policial se expressou errado, mas sua ideia está certa. Para melhor entenderem, vou explicar usando outro exemplo.

Imagine-se andando nas ruas do centro de uma capital brasileira. Você mulher segurando sua bolsa pela mão e você homem levando sua carteira na mão também. Tanto a bolsa quanto a carteira são pequenas o suficiente para fazerem um determinado volume indicando que há bastante dinheiro lá dentro, e no caso das bolsas, que há outros objetos de valor também (celular, por exemplo).

Imagine agora que você está segurando a bolsa/carteira na ponta dos dedos. Quanto tempo você acha que vai demorar pra algum ladrão tentar levar sua bolsa/carteira?

E você sabe que nesse caso há uma probabilidade enorme de você não conseguir segurar seus pertences, já que apenas seus dedos estavam segurando-os.

Mas então você pode lembrar-se de que isso não vai acontecer com você, porque você mulher coloca a alça de sua bolsa no ombro e o braço por cima da bolsa, e você homem coloca sua carteira num bolso de sua calça, ou no bolso que dificulte alguém conseguir puxar sua carteira sem você perceber.

Mas por que tomamos estes cuidados com nossos pertences?

Antes de responder, vamos agora para outro rápido exemplo.

Imagine-se voltando para sua casa de ônibus, por volta da meia noite. Você sabe que da parada de ônibus para a sua casa existem dois caminhos: um mais curto, porém passando algumas dezenas de metros num local escuro com mato de um lado e do outro, e outro caminho mais longo, só que sempre iluminado e com um mínimo de movimentação de outras pessoas de bem.

O caminho que a maioria de nós escolheria, dado o horário, seria o mais longo.

Por que escolhemos neste caso o mais longo?

Agora vou responder as duas perguntas com uma só palavra: prevenção!

Quando vamos ao centro de uma capital brasileira, sabemos que existem muitos ladrões à espreita, esperando a vítima mais desavisada ou mais descuidada; e no meio de uma multidão fica muito mais fácil para eles conseguirem roubar alguma coisa sem serem vistos ou depois se camuflando no meio das pessoas.

Sabendo disso, já nos prevenimos e dificultamos sua ação sobre nós! Mas o fato de sermos descuidados ou desavisados não dá o direito de um ladrão vir nos roubar. Mas mesmo assim nos prevenimos. Mas não existe ninguém fazendo a Marcha dos Descuidados.

Quanto ao outro exemplo, sabemos perfeitamente que uma passagem escura com um terreno baldio muito próximo é uma armadilha perfeita para assaltantes e outros tipos de bandidos. Por essa razão é que escolhemos o caminho mais longo e iluminado para prevenirmos a nós mesmos de sofrermos um ataque. Mas só o fato de eu estar andando no meio da noite numa rua sem iluminação pública e com um terreno baldio do lado não dá o direito de um criminoso vir me abordar. Então cadê a Marcha dos Caminhantes Noturnos?

O que quero dizer com os exemplos acima é que realmente não somos culpados de sermos vítimas de criminosos, mas sabendo da potencialidade de sermos vítimas, podemos reduzir o risco que corremos! Claro que o melhor seria que a polícia estivesse sempre a postos, mas não é essa a realidade de lugar algum do mundo! Então temos de fazer o possível para não catalisar a ação de um criminoso sobre nossas pessoas.

Andar descuidado no centro de uma capital catalisa a ação de um ladrão, pois ele vê que é mais fácil roubar você que todos os outros ao seu redor. Andar sozinho, no meio da noite, numa rua escura, catalisa a ação de um bandido, pois neste caso é semelhante a você entrar numa armadilha, e para o bandido é mais cômodo esperar alguém cair nessa armadilha que tentar um crime num lugar mais iluminado e com mais gente.

Da mesma forma, andando com roupas provocantes catalisa a ação de um estuprador.

Todos sabem que a libido do homem é em função quase que totalmente do que ele vê. E se passa uma menina extremamente linda, mas vestida comportadamente e outra até feia – mas quase nua. Esta última acaba por chamar ainda mais atenção.

Então, já que existe esse problema, nosso papel, enquanto a polícia não dá um jeito, é dificultar a ação dos bandidos. E vacilando não é o caminho.

Clique aqui para ler o segundo texto.

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Publicado por

Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

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